Recanto do Lelêu "PRÓ ÁLCOOL"
- Edielson Samico
- 29 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O "Bom Carrasco" da Boa Vista: A Irrecorrível História do Recanto do Lelêu
Se existe um lugar que sintetiza a alma da boemia recifense, esse lugar é o Mercado da Boa Vista. Em meio ao aroma de coentro e o tilintar de copos, um box específico atrai curiosos e fiéis não apenas pelo cardápio, mas pela figura lendária que o conduz: Lenilson Ferreira de Santana, o eterno Lelêu.
Meio Século de História e Tradição
A conexão de Lelêu com o mercado atravessa gerações. Há 50 anos ele circula por aqueles corredores, ocupando o ponto que originalmente pertencia ao seu pai. Após o falecimento do patriarca, Lelêu assumiu o posto e, há cerca de 17 anos, transformou o comércio no Recanto do Lelêu, um dos redutos mais autênticos do Recife.
O Marketing do "Mau-Humor"
O que diferencia o Recanto é a personalidade folclórica de seu proprietário. Lelêu elevou a impaciência a um nível de entretenimento. Conhecido como o "Bom Carrasco", ele transformou o desejo de encerrar o expediente em uma ferramenta de marketing espontâneo.
A fama surgiu organicamente: ao bater das 19h, Lelêu não hesita em apressar os clientes mais resistentes. Frases como "Bora embora, que eu quero ir pra casa!" tornaram-se parte do show. O que começou como uma reclamação virou piada e, posteriormente, tradição — dando origem, inclusive, a um bloco de Carnaval que arrasta multidões a partir do bar.
Boemia, Música e Regras Próprias
No Recanto do Lelêu, a cultura respira sem filtros. O próprio Lelêu assume o microfone para soltar a voz, fazendo da música sua terapia pessoal. No entanto, o ambiente possui diretrizes claras: o ritmo sertanejo é terminantemente proibido.
Para quem se estende além da conta, o "convite" para sair hoje ganha tons de ironia refinada: "Eu não estou botando para fora, estou convidando vocês a se retirarem, que é mais educado", brinca o anfitrião.
Por que visitar?
O Recanto do Lelêu é o destino ideal para quem busca:
Autenticidade: Um ambiente onde o "atendimento ríspido" é, na verdade, um gesto de carinho cultural.
Boa Música: Samba, MPB e ritmos regionais que respeitam a tradição do mercado.
História Viva: A chance de conversar com um dos personagens mais icônicos da capital pernambucana.
Visitar o Lelêu é entender que, no Recife, a hospitalidade também pode vir acompanhada de uma boa dose de personalidade e humor.


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